Transtorno do Pânico… Uma Doença da Atualidade

Sindrome-do-Panico-O Transtorno do Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos e é igualmente prevalente entre homens e mulheres. Portanto, em sua maioria, as pessoas que têm o Pânico são jovens ou adultos jovens, na faixa etária dos 20 aos 40 anos, e se encontram na plenitude da vida profissional. Tudo pode mudar na vida de um indivíduo quando, de repente, surge um mal estar que trás consigo uma mistura de sintomas e sensações.

Os sintomas podem se manifestar de diferentes maneiras, podendo ser eles:

1 – palpitações,
2 – sudorese,
3 – tremores ou abalos,
4 – sensações de falta de ar ou sufocamento,transtornos 5 – sensação de asfixia,
6 – dor ou desconforto no tórax,
7 – náusea ou desconforto abdominal,
8 – tontura ou vertigem,
9 – sensação de não ser ela(e) mesma(o),
10 – medo de perder o controle ou de “enlouquecer”,
11 – medo de morrer,
12 – formigamentos e
13 – calafrios ou ondas de calor.

Mediante a manifestação sintomática, o indivíduo, sem saber o que se passa consigo, procura ajuda médica, realiza exames e geralmente constata que fisicamente nada acontece, levando-o assim a uma imensa angústia, do por que destes sintomas, se não existe nenhuma doença específica diagnosticada. Considerar que o extremo mal estar pelo qual passou tenha tido origem puramente emocional é a última coisa que acreditam.

Normalmente, depois do primeiro ataque, as pessoas com Pânico experimentam importante ansiedade e medo de vir a apresentar um segundo episódio. A ansiedade é tanta que o individuo fica ansioso diante da possibilidade de vir a ficar ansioso. É o famoso “medo de ter medo“, por causa disso, esses indivíduos passam a evitar situações possivelmente facilitadoras da crise, prejudicando-se socialmente ou ocupacionalmente em graus variados. São pessoas que deixam de dirigir, não entram em supermercados cheios, evitam aventurar-se pelas ruas desacompanhadas, não conseguem dormir, não entram em avião, não frequentam shows, evitam edifícios altos, não utilizam elevadores e assim por diante. De qualquer forma, a mobilidade social e profissional de tais pacientes encontra-se prejudicada de alguma maneira. Esse é o chamado comportamento evitativo.

Incidências e causas do Transtorno

Tanto os eventos desagradáveis, profissionais ou extra-profissionais, quanto os eventos agradáveis, também em ambos os campos, podem se constituir em agentes estressores: morte de ente querido, nascimento de filho, despedida ou promoção no emprego, casamento ou separação, todos são potencialmente estressores.

Sabemos hoje que a síndrome do Pânico está biologicamente associada a uma disfunção dos neurotransmissores, a qual criaria um fator agravante na sensação de medo. De acordo com uma das teorias, o sistema de alerta normal do organismo – um conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja à alguma ameaça ou se adapte a uma circunstância – é ativado desnecessariamente na crise de Pânico, sem que haja um perigo iminente de fato.

O cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores, responsáveis pela comunicação entre os neurônios (células do sistema nervoso). Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo (ex: andar, pensar, memorizar, etc). Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Daí o organismo desencadearia uma reação de alerta indevidamente, como se houvesse realmente uma ameaça concreta.

Seria isto, exatamente, o que ocorreria em um Ataque de Pânico: uma informação

imaginação

incorreta, decorrente de uma disfunção dos neurotransmissores, alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que, na realidade, concretamente não existe. No caso do Transtorno do Pânico os neurotransmissores que se encontram em desequilíbrio são os mesmos envolvidos na Depressão: a Serotonina e a Noradrenalina. Vem daí a ideia de aplicar-se ao transtorno do Pânico o mesmo tratamento medicamentoso da Depressão.

Constata-se também que o Pânico ocorre com maior frequência em algumas famílias, significando haver uma participação importante de fatores hereditários na determinação de quem está sujeito ao distúrbio. Apesar dessa concordância, muitas pessoas desenvolvem este distúrbio sem nenhum antecedente familiar.

Vale ressaltar ainda que alguns medicamentos como anfetaminas (usados em dietas de emagrecimento) ou drogas (cocaína, maconha, crack, ecstasy, etc.), podem aumentar a atividade e o medo, promovendo alterações químicas que podem levar ao Pânico.

 

Tratamento

De forma geral, existem três formas de tratamento do TP: o tratamento psicofarmacológico, o psicoterapêutico e o combinado.

Quanto mais significativo for o fator vivencial que desencadeou o quadro psiquiátrico, possivelmente menos atrelada à constituição é a doença. Exemplificando: a pessoa que apresenta o transtorno mediata ou imediatamente depois de perder sua mãe, terá muito melhor prognóstico do que aquele que manifesta o mesmo quadro sem nenhuma vivência associada.

Embora a psicofarmacoterapia possa ser útil em qualquer dos casos, ela poderá ser insuficiente nos pacientes que necessitam adaptar-se a alguma vivência traumática, como é o caso de ter perdido a mãe, do exemplo acima, e será indispensável naqueles casos cujo estado emocional atual reflete um componente biológico, como acontece naqueles que desencadeiam o transtorno sem uma causa vivencial proporcional detectada. Para as pessoas do primeiro caso, aquelas que estão reagindo patologicamente às vivências expressivas, a associação da psicoterapia à psicofarmacoterapia é de fundamental importância.

Tentando elaborar uma regra didática simples, poderia dizer que a psicoterapia é eficaz na proporção da influência de elementos vivenciais no curso da doença (quanto mais influentes forem as vivências, maior eficácia da psicoterapia) e a farmacoterapia é tão mais eficaz quanto menos importantes forem as vivências na origem do transtorno. Isso não invalida, absolutamente, a associação de ambos procedimentos nos transtornos emocionais em geral, auferindo-se benefícios da psicoterapia também nos casos predominantemente constitucionais e da farmacoterapia naqueles predominantemente vivenciais.

 

Patrícia Rocha de Olliveira

Psicóloga

 

CRP: 05/44925

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